A
Bola de Prata
Autor: Julio Fiadi
"Rumo aos Pólos" pág. 285
Antes de começarmos nossa última caminhada, Salvador pediu para
que colocássemos toda a sua carga de volta ao seu trenó. Ele fazia
questão de chegar ao pólo levando tudo que lhe cabia.
De todos
os objetos que estavam agora comigo, eu tentava lembrar quais tinham também
estado no Pólo Norte, lá do outro lado do mundo.
Meu relógio de mergulho, com mais de dez anos de uso, a mochilinha preta
que eu usava para andar de moto em São Paulo, o velho canivete e a mesma
bandeirinha do Brasil que eu e o Roberto Stickel tínhamos segurado para
as fotos da chegada ao extremo Norte, eram alguns deles.
Aos poucos, fomos nos aproximado do círculo de bandeiras dos países
membros do tratado antártico, que circundam o marco simbólico do
Pólo Sul.
O pequeno mastro com a famosa esfera de
prata é o ponto
cerimonial para todas as expedições que conseguem chegar ao Pólo.
Quando nós oito estávamos posicionados à sua volta, cada
um de nós foi pondo uma mão de cada vez sobre a esfera de prata,
até que a pilha de dezesseis luvas se completou.
No dia 9 de Janeiro de
2001, às 12:27h do horário do Brasil, um grupo de oito homens e
mulheres de diversos países começou a pular e a se abraçar,
como crianças que ganham um jogo esportivo no campeonato da escola.
Eu pisava exatamente onde, 90 anos atrás, Amundsen tinha chegado para
fincar a bandeira da Noruega.
Finalmente, meu sonho de chegar ao Pólo Sul caminhando se concretizou,
e voltei a ver o Sol girar 360 graus em minha volta, sem abaixar no horizonte.